Após 27 anos de existência, o corpo discente do Programa de Pós-Graduação em História Social (PPGHIS) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) finaliza a produção de sua revista eletrônica. Totalmente organizada e coordenada por alunos dos cursos de Mestrado e Doutorado do programa, a revista Ars Historica surge com o objetivo de ser um meio de integração entre diversas áreas do conhecimento histórico através da publicação de artigos científicos produzidos, não só por discentes das diversas linhas de pesquisa do PPGHIS, mas também pesquisadores de outros cursos e outras instituições na área de ciências humanas. Seguindo essa proposta de ampliação das discussões no meio acadêmico, evitando a verticalização do conhecimento, a revista optou por estar aberta à participação de graduandos, que também terão na revista um espaço para a publicação de suas pesquisas, visando que, com esta oportunidade, tais investigações sejam estimuladas.

Esses objetivos partem da constatação de que a especialização observada com cada vez mais frequência nas investigações científicas, ainda que tenha produzido conhecimentos mais aprofundados, tem a desvantagem de criar pesquisadores e professores alheios às questões que concernem o meio acadêmico nas demais áreas. É contra tal verticalização alienante do conhecimento que lançamos Ars Historica, desejando que ela inspire futuras publicações do mesmo gênero e que contribua para reflexões entre as mais variadas áreas.

Assim, deixamos o trecho de Assim falou Zaratrusta de Nietzsche para futuras reflexões e convidamos o leitor a visitar as demais páginas do site, onde é possível encontrar informações gerais sobre a revista e nossas normas de publicação.

“Vejo e já vi coisas piores: e as há tão
espantosas, que não quereria falar de
todas elas nem também calar-me sobre
alguma, a saber: há homens que
carecem de tudo, conquanto tenham
qualquer coisa em excesso − homens
que são unicamente um grande olho, ou
uma grande boca, ou um grande ventre,
ou qualquer outra coisa grande. – A
esses chamo eu aleijados às avessas.

Quando, ao sair da minha solidão,
atravessava pela primeira vez esta
ponte, não dei crédito aos meus olhos,
não cessei de olhar e acabei por dizer:
‘Isto é uma orelha! Uma orelha do
tamanho de um homem!’ Acercava−me
mais, e por trás da orelha movia−se
algo tão pequeno, mesquinho e débil
que fazia compaixão. E efetivamente: a
monstruosa orelha descansava num
tênue cabelo esse cabelo era um
homem! Olhando através de uma lente
ainda se podia reconhecer uma cara
invejosa, e também uma alma vã que se
agitava no remate do cabelo. O povo,
contudo, dizia−me que a orelha grande
era não só um homem mas um grande
homem, um gênio. Eu, porém, nunca
acreditei no povo quando ele me falava
de grandes homens, e sustento a minha
idéia de que era um aleijado às avessas
que tinha pouquíssimo de tudo e uma
coisa em demasia”.

- Comitê Editorial